de olho no mensalão

pelo Movimento 31 de julho

Mensalão e a falta de nexo

MERVAL PEREIRA – 24.8.2012

Mesmo que formalmente tenha limitado seu voto aos membros acusados de “desvio do dinheiro público”, item inicial do relatório do ministro Joaquim Barbosa, o revisor Ricardo Lewandowski manteve o seu esquema mental de separar os fatos, como se eles não tivessem conexão entre si.

Essa era sua intenção quando anunciou que leria o voto réu por réu, por ordem alfabética, negando assim liminarmente a tese da acusação de que os crimes eram conectados entre si e foram praticados por uma quadrilha, que obedecia a um comando central e tinha objetivos políticos.

Só assim ele poderia, no mesmo voto, condenar o diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato e absolver o então presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, acusados pelos mesmos crimes. Sintomaticamente, o ministro Lewandwski deixou passar sem nenhuma tentativa de explicação os R$ 50 mil que a mulher de Cunha apanhou na boca do caixa do banco Rural em Brasília.

Embora não tenha tido a coragem de assumir a tese do caixa 2 eleitoral, implicitamente o ministro Ricardo Lewandowski o admitiu como explicação razoável para o fato de um publicitário ter dado dinheiro vivo ao presidente da Câmara, a pedido do tesoureiro do PT Delúbio Soares, verba supostamente gasta em pesquisas eleitorais.

É espantoso que um ministro do Supremo, que já presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) trate com tanta ligeireza a corrupção eleitoral, e seja incapaz de ligar dois mais dois. (…)

Embora tenha se esforçado para demonstrar que estudou detalhadamente o processo, e tenha procurado afirmar que baseou seu voto “na realidade dos autos”, o ministro revisor passou por cima de detalhes cruciais, como, por exemplo, o fato de que os saques no Banco Rural eram escamoteados pela agência SPM&B como “pagamento de fornecedores”. E também que a primeira reação de João Paulo foi mentir quanto à ida de sua mulher ao banco, alegando que fora pagar uma fatura de TV a cabo. Sabia, portanto, da origem ilegal do dinheiro. O caráter pessoal da contratação da agência IFT está demonstrado por reuniões, fora da Câmara, para organizar ações de campanhas eleitorais do PT, com a presença de João Paulo Cunha.

O voto de ontem confirma as piores expectativas com relação ao trabalho do revisor do processo.

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Autor: deolhonomensalao

O MOVIMENTO 31 DE JULHO é o responsável por este blog. Desde meados de 2011 o movimento vem organizando e participando de manifestações contra a corrupção e a impunidade, tais como: passeatas, comícios e também ações na Internet, realizadas em conjunto com outros grupos do Rio de Janeiro e de todo o Brasil. Promoveu o abaixo-assinado – SOS_ STF- pelo julgamento do Mensalão, o Troféu Algemas de Ouro e a Campanha do Pega Ladrão. Vem contribuindo para causas vencedoras, como o reconhecimento da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, a confirmação do poder do CNJ de investigar e punir irregularidades no Judiciário e a confirmação do julgamento do Mensalão, a maior conquista da sociedade contra a impunidade.

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