de olho no mensalão

pelo Movimento 31 de julho


O mensalão constrangedor

NOSSA OPINIÃO

A imprensa registrou com fotos o encontro do ex-presidente Lula e muitos candidatos do PT nas próximas eleições. Na quase totalidade, trata-se de candidatos nanicos, obscuros, sem nenhuma visibilidade além de suas cidades, para os quais a aparição ao lado de um cacique político é fundamental.

Curiosamente, em situação oposta, na propaganda eleitoral de alguns candidatos à prefeitura em municípios do RJ chama a atenção a pouca visibilidade, quase ocultação, dos principais símbolos identificadores do partido como o predomínio da cor vermelha e, pasmem, a própria estrela. A imagem passada é de constrangimento por pertencerem a um partido com alguns dirigentes históricos entre os principais réus no processo do mensalão, considerado o maior escândalo de corrupção de nossa política.

Convém lembrar que a protelação desse julgamento já beneficiou parte dos acusados pela prescrição de alguns crimes constantes do processo e, além disso, em face da Lei da Ficha Limpa é necessário que os candidatos acusados sejam julgados antes do pleito de outubro.

Inicio


Respingos e desgastes do Mensalão

Dilma se blinda para evitar que julgamento espirre em seu governo – Presidente quer ‘agenda de desenvolvimento’ durante julgamento de seus colegas petistas

28 de julho de 2012 – Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

Preocupada com o potencial de desgaste que o julgamento do mensalão pode causar a seu governo, a presidente Dilma Rousseff deverá fazer de tudo para manter o Palácio do Planalto longe dos holofotes do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de torcer para que os réus do PT sejam absolvidos, sob o argumento de que uma punição representaria a condenação moral da Era Lula e acabaria se voltando contra ela e o seu partido nas eleições municipais, Dilma baixou a lei do silêncio.

Reuters

Presidente baixou no Planalto uma lei do silêncio sobre o caso

A ordem é blindar o Planalto do impacto do julgamento, que vai pôr o PT e o governo Lula no banco dos réus. Na tentativa de mostrar que sua gestão não será contaminada pelas ruidosas sessões do Supremo, Dilma preparou um pacote de estímulo aos investimentos, a ser lançado em várias etapas, entre agosto e setembro. A “agenda do desenvolvimento” terá medidas populares, como a desoneração de impostos para a redução do custo da tarifa de energia elétrica.

Na semana passada, a presidente quis saber de auxiliares se a repercussão do julgamento do mensalão ocuparia o espaço nobre da imprensa nos próximos meses. Diante da resposta positiva, não escondeu a contrariedade.

Leia matéria na integra aqui

Inicio


O Mensalão e o dinheiro publico

Esquema do mensalão desviou pelo menos R$ 101 milhões

Laudo da Polícia Federal confirma uso de dinheiro público pelo esquema, por O Globo – CAROLINA BRÍGIDO e FRANCISCO LEALI

BRASÍLIA – Após sete anos de investigação e mais de 50 mil páginas de processo com inquirição de cerca de 600 testemunhas, peritos oficiais conseguiram mapear o tamanho do mensalão, esquema político de pagamento de propina a parlamentares da base do governo Lula. O chamado valerioduto, que o Ministério Público diz ter sido comandado pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, desviou pelo menos R$ 101,6 milhões. O número foi apurado por investigadores da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU).

Laudo da Polícia Federal confirma também que o esquema usou dinheiro público, originário do Banco do Brasil. Os saques de R$ 4,652 milhões realizados em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro têm como fonte recursos que a empresa DNA, de Marcos Valério, recebeu do fundo Visanet para prestar serviços de publicidade ao BB.
As informações constam da Ação Penal 470, que tem 38 réus e será julgada a partir desta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Reforçam as chances de condenação de acusados no processo — especialmente daqueles que participaram diretamente das operações financeiras.
Levantamento inédito feito pelo GLOBO nos laudos periciais anexados ao processo detalha como o esquema foi abastecido. Os números incluem dados compilados pelos peritos da Polícia Federal e os produzidos pela defesa. A maior parte dos recursos (R$ 88,695 milhões) passou pelas contas bancárias das empresas de Marcos Valério, acusado de ser o principal operador do mensalão. Em 2003, foram R$ 32,754 milhões. Em 2004, mais R$ 55,941 milhões. Esses valores estão registrados na contabilidade das empresas de Marcos Valério, segundo dados compilados pelos seus contadores(…)

Leia matéria na integra aqui

Inicio


1 comentário

A justiça é cega, mas a sociedade está de olho

NOSSA OPINIÃO

Os dois crimes mais graves dos acusados do Mensalão não fazem parte da Ação Penal 470. Os 38 réus são acusados de corrupção, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro etc. Mas ficou de fora o crime mais grave contra a sociedade: o sofrimento de milhões de brasileiros pobres com a saúde pública e tantos outros serviços precários porque a corrupção e a impunidade subtraem recursos que deveriam suprir investimentos e assegurar condições melhores de atendimento. Também ficou de fora a supressão do equilíbrio entre os Três Poderes, com a submissão de um deles (o Legislativo) a outro (o Executivo), durante um período considerável do Governo Lula, quando os votos de deputados e senadores eram comprados com a mesada paga pelo PT.

Embora não sejam tipificados na Ação Penal, são estes dois delitos maiores que mais chamam a atenção dos brasileiros que acompanharão o julgamento, com a esperança de que marque o início do fim da impunidade dos poderosos no Brasil. O Movimento 31 de Julho fez manifestação neste domingo no Rio para comemorar esta esperança. E também pelo nosso primeiro aniversário. O que mais desejamos é que o STF faça justiça para que iniciativas como a nossa não sejam necessárias no futuro.

Inicio


O Mensalão e o Supremo. Aceitável?

O GLOBO | OPINIÃO

JUDICIÁRIO | SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

A vez do Judiciário

PAULO GUEDES

Qual foi o caminho que nos levou à grandeza? Sob qual forma de governo e sob quais costumes alcançamos nossa grandeza?’ exortava Péricles no auge da democracia ateniense. “Nada é mais fértil do que ser livre, e nada mais árduo do que o aprendizado da liberdade’, alertava Tocqueville sobre os desafios da ordem democrática.

A construção de uma Grande Sociedade Aberta exige incessante aperfeiçoamento institucional. O julgamento do mensalão tem, por isso, dimensão histórica. Vai muito além de tecnicalidades jurídicas, que distinguem “caixa dois’ como crime e “recursos não contabilizados’ como lapso, e também da feroz disputa de poder entre tucanos e petistas. Trata-se da leitura simbólica quanto ao futuro de nossas práticas políticas.(…)

O que ocorreu no mensalão? Um atentado à independência dos poderes, uma tentativa de compra de representantes do Legislativo por representantes do Executivo. A palavra final cabe ao Poder Judiciário, representado pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. (…)

E as conseqüências futuras que virão da leitura simbólica desse julgamento? Seguiremos sob a cultura da impunidade? A corrupção, o tráfico de influência e o desvio de recursos públicos continuarão aceitáveis em nome da governabilidade? (…)

O julgamento do mensalão não escapará de uma leitura simbólica, indicando quais práticas políticas serão aceitáveis no futuro.

Leia artigo na integra aqui

Inicio


Bolo do Supremo, via Veja online

Passeata no Rio celebra início do julgamento do mensalão – Dezenas de pessoas marcharam do Leblon a Ipanema pelo fim da impunidade

Ipanema: protesto pedindo o fim da impunidade teve bolo de três andares

(com Agencia Estado)

Comemoração pelo inicio do julgamento do mensalão

O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 2 de agosto, já começa a mobilizar a sociedade civil. Cerca de 60 pessoas marcharam pela orla da zona sul do Rio de Janeiro na manhã deste domingo pedindo o fim da impunidade no país. Um bolo de três andares e com 11 bonequinhos representando os ministros do STF foi cortado, em comemoração ao início do julgamento em Brasília, após sete anos de investigações.

“Queremos apoiar o Poder Judiciário. Já é uma vitória o início do julgamento. Não cabe a nós julgar. O que defendemos é que os juízes o façam com isenção e que os 38 réus do caso sejam tratados com justiça”, disse Ana Luiza Archer, coordenadora do Movimento 31 de Julho contra a Corrupção e a Impunidade, que organizou o ato. Do Leblon a Ipanema, os manifestantes levaram faixas com frases como “O país precisa virar essa página com justiça e coragem. Boa sorte” e “Cumpra seu papel STF”, ao som de músicas de protesto como “Que país é esse”, do Legião Urbana. (…)

O grupo – Criado há um ano, o Movimento 31 de Julho fez parte do mutirão que reuniu grupos contra a corrupção de todo o país no início do ano. Juntos, eles reuniram 37.000 assinaturas em um abaixo-assinado pedindo a celeridade na apreciação do processo e entregue aos juízes do STF em 30 de maio. (…)

Leia matéria na íntegra aqui

Inicio


O Mensalão e a democracia

NOSSA OPINIÃO

Na reta final ao inicio do julgamento do mensalão, a semana foi atribulada. Viu se de tudo. A recorrente discussão do foro, mencionada até por alguns juízes; pedidos de suspensão do julgamento por supostamente contaminar as eleições municipais; prejulgamentos a favor ou contra esse ou aquele réu; o mensalão na mídia internacional e, finalmente, ainda contradição nas defesas, depois de 7 anos da denuncia! O clima esquenta. Sem dúvida, como já foi dito, o crime organizado anda muito desorganizado.

Felizmente, o brilho da semana ficou por conta da Ministra Eliana Calmon. Sempre ela. Há dias, comentando este julgamento, ela afirmou que “há por parte da Nação uma expectativa muito grande e acho também que o Supremo está tendo o seu grande julgamento ao julgar o mensalão”.  Nada mais óbvio, e por que não? Na verdade, gostando ou não, todos nós estamos sempre sob julgamento alheio, assim como as instituições e até o STF, especialmente em se tratando deste julgamento emblemático. Afinal, como ela mesma completou: “Todo e qualquer poder, no regime democrático, também se nutre da confiabilidade daqueles a quem ele serve”. Isso é democracia. Estamos confiantes.

Inicio